Esquecimento normal ou início de algo mais sério?
Postado em: 03/11/2025

Quem nunca esqueceu onde deixou as chaves ou o nome de alguém? Esses lapsos são comuns e, na maioria das vezes, refletem cansaço, estresse ou distração.
É importante saber quando o esquecimento se torna preocupante — especialmente quando começa a interferir na rotina, comprometendo o trabalho, as relações pessoais ou tarefas diárias.
Nesses casos, pode indicar comprometimento cognitivo leve ou, mais raramente, o início de uma doença neurodegenerativa, como o Alzheimer.
Como neurologista, observo que o cérebro envia sinais valiosos quando algo não vai bem. Reconhecer esses sintomas e buscar avaliação médica é essencial para preservar a memória e a saúde cerebral.
O que é o esquecimento e por que ele acontece?
O esquecimento é um processo natural do cérebro. A memória atua em três etapas: atenção, consolidação (organização das informações, principalmente durante o sono) e recuperação.
Falhas em qualquer uma dessas fases — por falta de sono, estresse, ansiedade, excesso de tarefas ou uso constante de tecnologia — podem gerar lapsos ocasionais.
Com o envelhecimento, o resgate das informações pode ficar mais lento, mas o conteúdo costuma ser preservado. O alerta surge quando o esquecimento se torna frequente ou há dificuldade para lembrar fatos recentes.
No consultório, adoto uma abordagem integrada entre neurologia e medicina do estilo de vida, ajustando sono, alimentação, atividade física e controle do estresse para melhorar a atenção e a memória.
Principais causas do esquecimento no dia a dia
O esquecimento pode ter várias origens — e muitas delas são reversíveis com avaliação médica e mudanças de hábitos. Entre as causas mais comuns estão:
- Falta de atenção e multitarefa: dividir o foco reduz a capacidade de registrar informações;
- Estresse e ansiedade: o excesso de cortisol prejudica a consolidação da memória;
- Privação ou má qualidade do sono: sem descanso adequado, o cérebro não fixa novas informações;
- Deficiências e condições clínicas: baixos níveis de vitamina B12, folato ou hormônios da tireoide (TSH) podem afetar a cognição;
- Distúrbios de humor: depressão e ansiedade comprometem a atenção e o raciocínio;
- Medicamentos e substâncias: o uso prolongado de benzodiazepínicos, fármacos anticolinérgicos ou álcool pode prejudicar a memória;
- Sedentarismo e alimentação inadequada: reduzem a oxigenação cerebral e favorecem o declínio cognitivo;
- Uso excessivo de tecnologia: depender demais de dispositivos eletrônicos diminui o treino natural da memória e da atenção.
A boa notícia é que grande parte dessas causas pode ser prevenida ou corrigida com ajustes de rotina e acompanhamento adequado.
Quando o esquecimento é normal?
Alguns lapsos fazem parte da vida e não indicam problema neurológico. São considerados normais quando:
- Você esquece onde guardou algo e lembra logo depois;
- Troca palavras em dias de cansaço ou pressa;
- Tem dificuldade para recordar detalhes de eventos antigos;
- Esquece compromissos de forma pontual, sem repetição frequente.
Esses episódios costumam melhorar com descanso, organização e redução do estresse.
Quando o esquecimento pode ser um sinal de alerta?
Procure avaliação médica se houver:
- Repetição de perguntas ou esquecimento de informações recentes;
- Dificuldade em realizar tarefas simples, como pagar contas ou cozinhar;
- Desorientação em locais conhecidos;
- Alterações de comportamento ou linguagem, como apatia, irritabilidade ou empobrecimento do vocabulário;
- Esquecimento de nomes de pessoas próximas.
Esses sinais podem indicar comprometimento cognitivo leve ou demência inicial, mas também podem estar relacionados a motivos reversíveis, como deficiência de B12, hipotireoidismo, depressão ou distúrbios do sono.
Atenção: procure emergência médica se o quadro surgir de forma abrupta, acompanhado de fraqueza em um lado do corpo, fala arrastada, confusão mental, dor de cabeça intensa e súbita ou queda/trauma.
Como melhorar a memória e prevenir o esquecimento
- Sono regular: durma de 7 a 9 horas por noite; se houver ronco ou pausas respiratórias, investigue apneia do sono;
- Atividade física: pratique exercícios aeróbicos e de força, pelo menos 150 minutos por semana;
- Alimentação equilibrada: inclua peixes ricos em ômega-3, frutas vermelhas, leguminosas e vegetais verde-escuros;
- Estimulação cognitiva: mantenha o cérebro ativo com idiomas, música, leitura e jogos de estratégia;
- Gerenciamento do estresse: pratique mindfulness, respiração consciente ou meditação;
- Vida social ativa: interações e vínculos fortalecem a função cognitiva;
- Uso equilibrado de tecnologia: reduza o tempo de tela, especialmente antes de dormir, e exercite a memória no dia a dia.
Esses hábitos fortalecem a atenção, melhoram o desempenho cerebral e reduzem o risco de esquecimento a longo prazo.
Quando procurar um neurologista?
Procure-me se:
- O esquecimento interfere nas atividades diárias ou tem piorado com o tempo;
- Há histórico familiar de demência ou Alzheimer;
- Ocorrem mudanças de comportamento, fala ou orientação.
Durante a consulta, realizo uma avaliação completa, com entrevista clínica, testes cognitivos, triagem de humor e sono, além de exames laboratoriais e de imagem, quando necessário.
O plano é individualizado, unindo tratamentos médicos, estimulação cognitiva e ajustes de estilo de vida. O diagnóstico precoce favorece o tratamento e ajuda a preservar a autonomia e a qualidade de vida.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) Como monitorar o esquecimento em casa, sem alarmismo?
Use um diário de memória por 4–6 semanas: registre a situação, horário, como dormiu, nível de estresse e possíveis gatilhos (multitarefa, telas). Ajuda a diferenciar desatenção de falhas de memória e orienta a consulta.
2) Em quanto tempo devo buscar avaliação se notar piora?
Se os lapsos aumentam ou interferem na rotina por até 3 meses — ou antes, se houver impacto em trabalho, finanças ou segurança — marque consulta com um neurologista. A avaliação precoce facilita identificar causas reversíveis.
3) Suplementos para memória funcionam?
Só quando há deficiência (B12 ou folato, por exemplo). Fora isso, não substituem sono, exercício, alimentação adequada e controle do estresse. Evite automedicação: algumas substâncias pioram a atenção.
4) Audição e visão alteradas pioram o esquecimento?
Sim. Perda auditiva e baixa visão aumentam a sobrecarga cognitiva e favorecem lapsos. Tratar audição (aparelho quando indicado) e corrigir visão reduz o esforço mental e protege a função cognitiva.
5) Menopausa pode afetar a memória?
Pode. Oscilações hormonais, insônia e fogachos prejudicam a atenção e consolidação da memória. Tratar o sono, manejar sintomas e manter hábitos protetores costuma reduzir os lapsos.
Comece a cuidar da sua memória
Cuidar da memória é cuidar da sua história. Percebeu mudanças consistentes? Procure orientação e investigue causas reversíveis.
Agende uma consulta comigo e descubra como cuidar do seu cérebro desde cedo.
Dra. Nancy Huang
Neurologista
CRM: 90846/SP
RQE: 23895