Paciente com Parkinson: como funciona o cérebro?

Postado em: 15/07/2025

O Parkinson é uma doença neurológica que afeta a maneira como o cérebro controla o corpo. Para muitas pessoas, os tremores e a rigidez muscular são os sintomas mais visíveis, mas por trás disso há um processo complexo que acontece dentro do sistema nervoso.

Paciente com Parkinson

Hoje vou trazer uma explicação básica de como o cérebro de um paciente com Parkinson funciona para ajudar a entender melhor a origem dos sintomas, o motivo de certos tratamentos e a importância de um cuidado contínuo e multidisciplinar!

O que acontece no cérebro de quem tem Parkinson?

O Parkinson afeta principalmente uma região do cérebro chamada substância negra, localizada no tronco cerebral. 

Essa região é responsável pela produção de um neurotransmissor essencial chamado dopamina, que atua como uma espécie de mensageiro químico entre as células nervosas.

No paciente com Parkinson, ocorre uma degeneração progressiva das células produtoras de dopamina. Com isso, a comunicação entre o cérebro e os músculos fica comprometida, o que leva aos sintomas motores característicos da doença, como por exemplo:

  • Tremores, geralmente em repouso.
  • Lentidão dos movimentos (bradicinesia).
  • Rigidez muscular.
  • Instabilidade postural.

Além dessas alterações, também há impacto em outras regiões cerebrais envolvidas na cognição, no sono, no humor e no comportamento — o que explica por que muitos pacientes também apresentam sintomas como depressão, ansiedade, distúrbios do sono e alterações cognitivas.

Como a falta de dopamina afeta o movimento?

A dopamina é essencial para o funcionamento de um circuito cerebral conhecido como sistema extrapiramidal, que regula os movimentos automáticos e a coordenação motora fina. 

Quando a produção dessa substância diminui, o cérebro encontra dificuldade para iniciar e controlar os movimentos. 

Isso significa que tarefas simples, como abotoar uma camisa ou levantar da cadeira, passam a exigir mais esforço e tempo. O paciente pode até saber o que quer fazer, mas o cérebro não consegue organizar os comandos motores com a mesma eficiência de antes.

Com o tempo, o corpo também perde a fluidez e a espontaneidade nos movimentos. É comum observar uma postura mais curvada, passos curtos e uma expressão facial mais “congelada” — sinais que revelam o impacto da disfunção dopaminérgica.

O Parkinson afeta apenas o controle motor?

Embora os sintomas motores sejam os mais conhecidos, muitos pacientes experimentam manifestações não motoras, que podem aparecer até antes dos tremores.

Entre os sintomas não motores mais comuns no Parkinson, estão:

  • Distúrbios do sono, como insônia e movimentos involuntários durante o sono REM.
  • Depressão e ansiedade, que podem surgir como parte do processo.
  • Alterações no olfato, com perda parcial ou total do sentido.
  • Problemas intestinais, como constipação crônica.
  • Comprometimento cognitivo leve, que em alguns casos pode evoluir para demência.

Esses sintomas acontecem porque outras áreas do cérebro, além da substância negra, também podem ser afetadas pelo processo neurodegenerativo. Isso pode incluir estruturas como o hipocampo (ligado à memória) e os núcleos da base, que regulam funções cognitivas e emocionais.

Como a ciência estuda o cérebro com Parkinson?

Avanços nas técnicas de imagem cerebral, como a ressonância magnética funcional e a tomografia por emissão de pósitrons (PET-Scan), têm permitido estudar com mais profundidade o funcionamento do cérebro em pessoas com Parkinson.

Esses exames mostram alterações no metabolismo cerebral e no funcionamento dos circuitos de dopamina, mesmo em fases iniciais da doença. 

Além disso, marcadores genéticos e moleculares têm sido estudados para identificar precocemente os pacientes em risco e desenvolver tratamentos mais específicos.

Hoje, já sabemos que a inflamação crônica e o acúmulo de proteínas anormais, como a alfa-sinucleína, também desempenham um papel no processo degenerativo. Essas descobertas ajudam na busca por novos medicamentos que vão além da reposição de dopamina, visando proteger e regenerar os neurônios afetados.

O que pode ser feito para proteger o cérebro no Parkinson?

Embora o Parkinson ainda não tenha cura, existem várias estratégias que ajudam a proteger o cérebro e retardar a progressão da doença. 

O tratamento pode incluir, por exemplo:

  • Medicações específicas, como a levodopa, que recompõem os níveis de dopamina.
  • Exercícios físicos regulares, que estimulam a neuroplasticidade e melhoram o equilíbrio.
  • Terapias complementares, como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
  • Acompanhamento psicológico e psiquiátrico, para cuidar da saúde mental.
  • Estímulo cognitivo, com atividades que exercitam a memória, atenção e linguagem.
  • Neuroestimulação, com técnicas avançadas como a Estimulação Cerebral Profunda ou o Ultrassom de Alta Intensidade, por exemplo.

Além disso, práticas como o mindfulness, integradas à abordagem da Medicina do Estilo de Vida, têm mostrado efeitos positivos na regulação emocional e no enfrentamento da doença de Parkinson, auxiliando tanto pacientes quanto familiares.

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Dra. Nancy Huang

Neurologista 

CRM 90846/SP | RQE 23895

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Dra. Nancy Huang
Neurologista
CRM: 90846/SP
RQE: 23895


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