Como Diferenciar Esquecimentos Normais do Envelhecimento da Demência?
Postado em: 18/06/2025
Com o avanço da idade, é natural que algumas funções cognitivas passem por mudanças. Lapsos de memória, mais lentidão para lembrar nomes ou a dificuldade em aprender algo novo costumam preocupar tanto os idosos quanto seus familiares, trazendo o medo de quadros de Demência.

Essa preocupação é compreensível. Afinal, todos queremos envelhecer com saúde preservada.
Como médica neurologista, escuto com frequência relatos como “meu pai está esquecendo as coisas, mas será que isso é normal?” ou “será que minha mãe está com Alzheimer?”.
A verdade é que nem todo esquecimento é sinal de doença. Mas também não devemos banalizar ou minimizar sinais que, quando avaliados com atenção, podem indicar o início de uma condição neurológica, como o comprometimento cognitivo leve ou mesmo uma demência.
A seguir, vou apresentar algumas considerações importantes sobre o assunto. Convido você a continuar a leitura para conferir!
O que são esquecimentos considerados normais no envelhecimento?
O envelhecimento “normal” traz algumas alterações cognitivas, especialmente na velocidade de processamento das informações e na capacidade de recuperação de memórias recentes.
Isso não significa que a pessoa esteja doente, mas sim que o cérebro está passando por mudanças naturais do tempo.
Essas alterações podem ser mais evidentes em dias de estresse, sono ruim ou cansaço.
Elas não progridem rapidamente nem comprometem o funcionamento do dia a dia.
Quando o esquecimento pode ser sinal de demência?
Na “Demência”, os lapsos de memória são mais frequentes e afetam informações recentes e relevantes, como uma conversa do mesmo dia ou o caminho até a casa de um parente.
São exemplos de sinais que merecem atenção:
- Esquecimento de eventos importantes, como datas ou compromissos, de forma recorrente.
- Repetição das mesmas perguntas ou histórias, mesmo após resposta.
- Dificuldade para seguir instruções simples ou para realizar tarefas do cotidiano, como cozinhar ou organizar contas.
- Desorientação no tempo ou no espaço, mesmo em locais conhecidos.
- Mudanças de comportamento, como apatia, desconfiança, irritabilidade ou isolamento.
- Dificuldade para reconhecer pessoas próximas em fases mais avançadas.
Além de questões de memória, a demência costuma afetar outras funções cognitivas, como linguagem, julgamento, atenção e capacidade de planejamento.
Vale lembrar que, em casos de demência, os sinais podem começar de forma sutil e menos evidente, sendo importante ter atenção e buscar ajuda médica em caso de dúvida ou desconforto.
Comprometimento cognitivo leve: um estágio intermediário
Existe uma condição chamada Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), que representa uma zona intermediária entre o envelhecimento normal e a demência.
Nesse estágio, a pessoa percebe os esquecimentos, e eles são mais frequentes do que o esperado para a idade, mas ainda não comprometem de forma significativa a autonomia.
O acompanhamento neurológico é essencial nesses casos, pois o CCL pode se estabilizar, regredir ou progredir para uma demência, dependendo de vários fatores — como estilo de vida, estímulo cognitivo e controle de comorbidades.
A avaliação neurológica é essencial para esclarecer dúvidas
Não é possível diagnosticar demência apenas com base em observações do dia a dia. O neurologista realiza uma avaliação clínica detalhada, que inclui:
- Histórico médico e familiar;
- Entrevista com o paciente e familiares;
- Aplicação de testes cognitivos específicos;
- Exames laboratoriais (para excluir causas reversíveis);
- Exames de imagem, como ressonância magnética, quando necessário.
Esse processo permite não só identificar a causa dos esquecimentos, mas também orientar o melhor caminho para tratamento de demência, prevenção e acolhimento.
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Neurologista
CRM 90846/SP | RQE 23895
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Dra. Nancy Huang
Neurologista
CRM: 90846/SP
RQE: 23895